Uma Crônica que fiz para Walter Lima – Marcelo Melo

Walter Martins Lima, um monlevadense que amava esta terra como poucos

Vou sentir muita saudade deste cara. Seu jeito moleque e sempre sorrindo e com seus famosos jargões por onde passava: “Capetinha”, “Diabinho” ou “Malandrinho”. Pelos bares da vida e nos encontros casuais pela cidade.

  Pois é, mas lá se foi o nosso amigo, irmão Walter Lima. Mas ele não merecia ficar sofrendo num leito de um hospital. Não iria aguentar ficar longe das pessoas que gostava e nem de seus botecos preferidos. E como amava a sua João Monlevade! Felizmente, fiz homenagem a ele em vida. Tive esta chance. sendo entrevistado na edição de nº 14, de agosto de 2001, no “Morro do Geo”. Dedicou-se grande parte de sua vida ao DAE, como diretor, cargo que assumiu no primeiro mandato do então prefeito Antônio Gonçalves, em fevereiro de 1971.

 Tudo bem que ele podia não cuidar bem de sua saúde, mas viveu a sua vida da forma que achou melhor. Não era de agradar ou puxar saco, mas era um cara muito agradável. Um gozador e brincalhão nato. E posso afirmar que eu e ele tivemos um relacionamento muito bom. E, se não chegamos a ser amigos, pelo menos éramos muito “chegados”. E, da mesma forma que ele, também adoro um barzinho, uma cerveja gelada. A diferença é que eu sempre acompanho a gelada e a branquinha com um tira-gosto. Mas ele, não. Só bebia. Nunca o vi degustando uma carninha ou coisa parecida pelos bares da cidade. Mas era o seu jeito. Era avesso às badalações e sempre aparecia com umas boas tiradas.

  Estou falando do freguês de carteirinha do antigo Kib´s Bar, do Bar do Filó e do Pé de Porco. Estou falando do Walter Martins Lima. Walter Lima, para resumir, o homem que tinha uma paixão por Monlevade, pela água e pelo seu traçado, conhaque com cachaça. Era ver o Fusca azul e ele chegando. O carro, se não me engano um 66, já sabia o caminho. Já conhecia a via-sacra de quase todos os dias. Sempre chegava e ficava em seu cantinho. Uma latinha de Skol (raramente pedia garrafa) e depois o traçado.

  Sabe, não fui ao seu velório. Talvez porque gostasse muito dele e queria ter a lembrança da última vez em que nos encontramos. E foi justamente no dia de seu acidente, dezembro, véspera de final de ano e de comemorar. Estávamos no Pé de Porco. Já me despedia para ir para casa almoçar, pois precisava cortar o cabelo. Aí o Walter me convenceu a ir com ele ao seu barbeiro, o carismático Edmilson, ali no bairro Santa Bárbara, próximo ao trevo. E, antes de ele entrar em seu fusquinha, ainda brinquei: – “É Walter, como é bonito este seu carro e tão bem cuidado”! E saímos dali: ele no Volks e eu no meu carro. Chegamos ao barbeiro e começamos a conversar fiado. Ele, sorrindo e brincando o tempo todo. – “Olha, eu trouxe o Marcelo para cortar o cabelo e fazer e barba e para você conhecer o maior corneteiro de Monlevade. Mas olha o que fala com ele! Senão coloca tudo no jornal. Viu, seu Danadinho, Diabinho”.

  Pois é, nos despedimos, deixei-o na cadeira do barbeiro e fui para casa. Viajei por alguns dias e depois que cheguei tomei conhecimento do acidente. E ainda brinquei com o Walter na edição de janeiro no “Morro do Geo”, pois havia sido informado que ele já estaria melhor. Mas não, final de fevereiro e é internado em BH. Falece numa quinta-feira, 4 de março de 12010. Uma grande perda para nossa Monlevade, cidade que ele amava de paixão.

  Mais uma vez me desculpe, seu grande Walter, pela falta de coragem de me despedir. Mas saiba: se tinha um camarada que eu gostava “de com força”, era de você. E trocamos tantas ideias, jogamos tanta conversa fora e guardamos tantas outras. Sorrimos juntos e você sempre me corrigindo quando algum fato histórico era publicado no “Morro do Geo” com dados incorretos. Afinal, você conhecia como poucos a história desta cidade. E falava com orgulho em ser o primeiro engenheiro formado, nascido em João Monlevade. E tinha orgulho de seus pais e de sua família, dona Leiva e dos filhos. Seus olhos brilhavam quando falava deles. E aquilo era fantástico. Obrigado, meu “chegado”!

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