Uma Crônica que fiz para Dona Maria “da Lavagem”! – Marcelo Melo

Acima, a grande dama que deixou uma obra eternizada em João Monlevade

Somos muitas vezes ingratos com as pessoas. Passamos pela vida cometendo injustiças, mesmo que de forma involuntária. Afinal, somos humanos. E passamos por fases hipócritas, falando bem de gente que nada tem a ver com a gente. Homenageando outras que nunca mereceram as nossas homenagens.

  E uma está há alguns anos esquecida; parece ter caído no esquecimento de nós, monlevadenses. Uma pessoa de alma pura e que sempre trabalhou por outras pessoas, ainda mais carentes do que ela. Sempre levando um sorriso aos idosos do Lar São José, de forma espontânea. Juntava o pouco que tinha em sua casa e outras vezes pedia aos amigos e vizinhos e levava suas cestas básicas, o leite, pães e frutas aos velhinhos e velhinhas do asilo. Tudo de coração, pela bondade natural que sempre a acompanhou.

  Falo aqui de Dona Maria, mas não de uma Maria qualquer. Não somente de Maria da Silva, Maria das Dores, mas de Dona “Maria da Lavagem”, juntos, nome e sobrenome apelidado. De uma mulher guerreira, forte, trabalhadora, solidária e voluntária. Falo de uma mulher que serve de exemplo em todos os sentidos. Às vezes vamos tão longe para falar e mostrar exemplos que fizeram ou fazem pela humanidade, mas alguns estão tão próximos de nós. E esta pessoa é Dona Maria Efigênia, a popular “Maria da Lavagem”.

  Ali da Vila Tanque, na divisa com a Areia Preta. Viúva, criou sozinha e com muito trabalho os seus filhos, carregando sobre a cabeça a sua lata de lavagem para alimentar  os seus porcos. E dali saia o sustento da família. Nunca me esquecerei, ainda criança, assentado em frente à minha casa na Rua 25, na Vila, e ela descendo com aquele peso sobre a cabeça e apenas um pano para aliviar o contato direto com a lata. O seu sorriso de alegria, de felicidade plena, dizendo “oi menino, cadê Dona Geralda? Tá estudando direitinho”? Dona Geralda era (e é) a minha mãe. E desde ali já se mostrava uma mulher que se preocupava com a educação, mesmo diante de seu mundo simples. Dona Maria da Lavagem era uma pessoa diferenciada, meio santa, sempre irradiando felicidade por onde passava. E era assim com todos os meninos das ruas por onde passava com a lata sobre a cabeça, sempre sorridente.

  À Dona Maria da Lavagem, a minha benção!

*Esta Crônica foi vencedora no Concurso Literário promovido pela Fundação Casa de Cultura, em 2010.

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