Do Caça e Pesca ao Floresta Clube: Santuário Ecológico e sua História!

Na foto acima, o Stand de tiro nos anos dourados do Caça e Pesca

Muito antes que ele se transformasse no Floresta Clube e mesmo antes que surgisse como Clube de Caça e Pesca, a área já era o nosso paraíso particular, a selva real, escura e misteriosa, todinha à nossa disposição, onde tornávamos reais as fantasias aprendidas na ficção com Tarzan, o Rei das Selvas. Éramos, nos anos cinquenta, um grupo de meninos de 8 a 11 anos, do Quarteirão Tapajós – Claudir, Zé Bolota, Carlos Alberto e eu, entre outros – a explorar a beleza exótica daquele amplo espaço situado atrás da Matriz de São José. Subindo em árvores e dependurando-nos em longos cipós, através dos quais “voávamos” de árvore em árvore, desavisados de algum perigo que certamente corríamos, celebrávamos naquele santuário as “tardes fagueiras da aurora da vida” que os anos não trariam jamais.

Quando, ao final de 1956, se anunciaram os projetos de instalação, na área, de um Clube voltado para atividades ligadas ao “esporte” da caça e da pesca, nem tempo tivemos de sentir o paraíso perdido. Logo se desenhou diante de nossos olhos uma estrutura se sonhos: um belo quiosque, ornamentado com elementos figurativos da pesca e da caça, um pequeno zoológico habitado por um número relativamente grande de animais, um lago cheio de patos e marrecos, alguns viveiros com aves desconhecidas e, a encher os nossos olhos, a mata, agora preparada para nos receber sem perigo. Foi exatamente em 03 de maio de 1957 – Cinquentenário à vista! – que o Engenheiro Henri Meyers, então Gerente da Usina de Monlevade, homem dedicado “ao bem estar dos operários, lutando muito para a melhoria de suas condições de vida”, entregou à comunidade o então “Clube de Caça e Pesca”. Seguindo padrões europeus da época, as principais atividades seriam a caça e a pesca, o que explica a origem do primeiro nome: Clube de Caça e Pesca. A nova área seria utilizada como espaço de lazer não só para os engenheiros provenientes da Europa para trabalhar na Belgo-Mineira, mas também para os operários que tivessem interesse na pesca amadorística.

Na realidade, “o primeiro nome que veio à mente dos idealizadores, – revela o atual Presidente do Clube, Jaime Batista Ramos – foi ‘Piracema Clube de Pesca’, imediatamente descartado como inadequado, por motivos óbvios”. Outro problema à época da criação do Clube, conforme revela Jaime Ramos, foi convencer o Cônego Higino, ainda reticente quanto à ideia de um Clube ali pertinho da Igreja, a concordar com o empreendimento.

Resolvidas as pendências, o clube foi instalado: uma área privilegiada, medindo 8, 8 hectares, localizada ao lado e atrás da Matriz de São José Operário, circundada pelo cinturão verde da Reserva Particular do Patrimônio Natural da Belgo, na Bacia do Rio Piracicaba, sendo uma das últimas reservas intocadas da Mata Atlântica. Instalou-se inicialmente um grande caramanchão, que funcionava como salão de festas e bailes, dotado da infra-estrutura necessária como banheiros, bar e cozinha.

Havia também um pequeno parque de diversões, e um zoológico onde se podia ver onças, macacos, porcos-do-mato, bicho-de-preguiça, tartarugas, cágados, coelhos, gansos, marrecos, além de alguns viveiros com uma grande diversidade de aves como araras, catatuas, maritacas, papagaios, periquitos, melros e outros. Durante muitos anos, principalmente na década de 70, as principais atrações eram esse Zoológico e o Parque de Diversões, que encantavam as crianças em suas visitas e excursões ao clube.

Posteriormente erigiu-se também um Stand de Tiro ao Alvo, durante muitos anos sede de torneios de Tiro ao Prato e de Tiro ao Pombo do Estado e Minas Gerais, revelando excelentes atiradores da cidade como Dário Lage, João Boca Rica, e Evaristo Bueno, entre outros.

Além da excelente área da sede social, o Clube sempre oferecia áreas verdes para passeios ecológicos e temporadas de pesca nas Lagoas de Jacaré e Aguapé, da Barra e Almécega, na região da Baixa Verde, perto de Dionísio. Atualmente, em duas destas Lagoas, a de Aguapé e Jacaré, o Clube ainda dispõe de casas e chalés que aluga aos sócios para temporadas de descanso e lazer.

Por quase trinta anos foi relativamente brilhante a trajetória do Clube de Caça e Pesca. Bailes carnavalescos, festas juninas, torneios de pesca e de tiro ao alvo, caravanas para pescarias, feijoadas, acampamentos nas casas das lagoas, visitas ambientais de estudantes, uso da sede para festas e encontros fizeram dele o melhor dos clubes da cidade e, quem sabe, da região, em seu gênero.

Vieram os anos oitenta. A sociedade, tardia, mas felizmente dotada de consciência ecológica, que redundaria na preservação ambiental, desacelera e desaconselha atividades relacionadas à caça e à pesca predatórias. Era preciso modificar o foco das atividades do Clube de Caça e Pesca, sintonizando-o com os novos tempos de valorização ambiental, para o que dispunha de excelentes condições e patrimônio adequado. Isto não foi feito no devido momento, perdendo-se o trem da história.

Por outro lado, nesta mesma época, ocorreu a migração, para os lados de Carneirinhos, da população circunvizinha das instalações da Belgo. Paralelamente, outros clubes da cidade, dotados de uma infra-estrutura de lazer condizente também com os novos tempos de culto ao corpo, firmaram-se, concorrendo entre si. O Clube de Caça e Pesca, com o esvaziamento da população e as crescentes dificuldades geradas, principalmente, pela diminuição do número de sócios, tornando inviável sua manutenção, entrou em franca decadência. No início dos anos 1990, um sopro renovador anima as esperanças do pequeno grupo remanescente de associados: em 21 de maio de 1993, uma Assembleia geral à qual compareceram vinte associados decide pela mudança do nome do Clube e determina uma reforma nos Estatutos. O Clube passa a denominar-se Floresta Clube Dr. Henri Meyers.

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)

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2 comentários “Do Caça e Pesca ao Floresta Clube: Santuário Ecológico e sua História!”

  • disse:

    Estive andando pelo Caça e Pesca numa recente manhã de 2a feira, aproveitando um dia de folga que passei na terrinha, e lá encontrei o Sr Darci e a esposa Cacilda trabalhando nos telhados do quiosque principal. Me receberam com muita simpatia. Fui caminhando mato a dentro até onde ainda se encontram as estruturas do que já foi o tiro ao alvo e me lembrei de quanta vida já existiu em tudo aquilo. Por isto que temos de aproveitar a vida enquanto ela passa, porque tudo um dia acaba …

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