Carneirinhos: Walter Lima fala do bairro desde a chegada da Luz Elétrica! – Marcelo Melo (Epílogo)

Acima, a fotografia do engenheiro Walter Lima, conforme saiu publicada originalmente na reportagem, com seu velho Chevette

Nesta edição voltamos a falar de Carneirinhos, este grande e próspero bairro de João Monlevade. Às vezes lhe chamam de cidade, como se Monlevade fosse o bairro (rs). Carneirinhos dos bairristas, das de cisões políticas. E para falar sobre Carneirinhos, convidamos o engenheiro Walter Martins Lima, que nasceu no bairro há 50 anos, quando ainda não havia nenhum sinal de progresso.

  Filho de Agenor Gomes Lima e Maria Martins Lima, Walter tem boas lembranças do passado e de sua gente. Como ele mesmo afirmou, “somos pessoas com ar de saudosistas”. E lá ia o Walter estudar no Ginásio de Tábua, da Rua Carijós, juntamente com o colega, hoje comerciante Waldir (do Posto Tenente), rodando arco de barril para chegar mais rápido à escola.

Fazenda dos Perdidos

  Foi ali na “Fazenda dos Perdidos” (hoje onde foi construído o Conjunto Habitacional José de Alencar), que tudo teve início. A Fazenda, de propriedade de Izack Cassemiro Gomes, dava pernoite para aqueles que chegavam com suas tropas de burros, entre eles o jovem Agenor. Foi ali que ele conheceu Maria Martins, filha do Sr. Izack Cassemiro, começaram o namoro e se casaram. E nascia o primeiro filho, Walter Lima.

  Disse que à frente do Posto Castelinho havia a Venda do Sr. Agenor, num Sobrado. Pertinho dali estavam instaladas algumas zonas boêmias e um ferro-velho. “Lembro muito bem da estrada entre o centro da cidade até Carneirinhos. Existia o Acampamento Dona Aurora, e onde está hoje o Estádio Louis Ensch era o Grupo Areia Preta – conhecido também como Grupo do “Minério”, diante o tanto minério que caia na região -, e a diretora era Dona Petiche. No Baú surgiam as primeiras casas da Avenida, construídas por Totó Loureiro. E, chegando em Carneirinhos, havia as casas de Zé Grande, Maria, João Lacerda, Joaquim, Gentil, Zé Antônio, João Menezes. Era como se fosse hoje”, disse saudosista.

  A 1ª Sinuca num bar em Carneirinhos surgiu no “Barbado”, lembra Walter, em frente à agência do Credireal. A energia elétrica, contou, veio surgir com o dentista prático José Lobão, conseguindo energia através do Córrego do Areão. “Carneirinhos ia ganhando forma com a chegada do 1º farmacêutico formado, que era o Virgílio Lima, pai do Alberto Lima. Outra pessoa importante  era o João Batista de Oliveira, responsável pela locação da Avenida Getúlio Vargas”, explicou.

  Ainda segundo o engenheiro, Carneirinhos era dividido em duas partes: Paria de Baixo (do Cine São Geraldo até a Igreja) e Praia de Cima. “A parte de baixo era mais movimentada com as praias que se formavam ao longo do córrego. Dava até para pescar e nadar. Era muito bom”.

Escolas

  Fazendo uma retificação em relação à reportagem da I Parte sobre Carneirinhos, Walter Lima lembra da primeira escola que foi instalada em Carneirinhos. Trata-se da Escola Luiz Prisco de Braga, em homenagem ao primeiro professor que atuou na região, natural de São Domingos do Prata. A escola ficava onde está instalado hoje o Bemge (atualmente o Banco Itaú). Ele lembra que a professora era Dona Palmira. Depois que veio a Escola Jeny Farias, que era a mesmo com o nome de Luiz Prisco de Braga (toda esta história você encontra aqui em nosso Site com o título “A História da Escola Jeny Faria: quando o pioneiro da Educação em João Monlevade – Luiz Prisco de Braga -, foi injustiçado!)

  “Todos ficaram entusiasmados com a chegada da primeira professora formada, que foi a Dona Nenela Bicalho, mãe de Danilo Bicalho. Posso dizer que que ela, assim como Luzia do Cartório (ex-diretora do grupo Central), Dona Petiche e o professor João de Oliveira Freitas (João Peixe) foram responsáveis por uma grande fase de nosso ensino. E neste Brasil têm muitos homens e mulheres que têm muito a agradecer ao Sr. João de Oliveira Freitas, quando o Senai era escola de pobre e de lá saíram vários profissionais”, afirmava convicto Walter Lima.

Emancipação

  Carneirinhos viveu momentos políticos importantes, principalmente na época da emancipação. Para Walter, uma das pessoas que mais contribuiu para a decisão foi Alberto Pereira Lima. Ele lembra inclusive do discurso que fez no Cinema de Nicolau Fernandes, quando esteve visitando João Monlevade o vice-presidente da República, Pedro Aleixo, para tratar a questão referente à emancipação do município.

  Assim vivia Carneirinhos, com tropas de burros pelas ruas. Com Dona Nenela Bicalho pregando educação. Na Venda da Casa Santa Terezinha, de Geraldo Paula Santos. Na Venda do velho Agenor Lima e na energia elétrica, conseguida por José Lobão. Carneirinhos de aventuras e histórias, ou estórias! Das grandes fazendas de frente à Avenida Getúlio Vargas. Carneirinhos de Wilson Alvarenga e Totó Loureiro. De Dona Izabel na Fazenda dos Perdidos. Carneirinhos de sonhos que se tornaram realidade!

Na fotografia abaixo, quando era realizada a canalização do córrego de Carneirinhos, no encontro das duas avenidas

*De julho a dezembro de 1989, tive o prazer de produzir uma série de reportagens no extinto “Jornal de Monlevade”, periódico este fundado pelo amigo e jornalista Elmo José Lima – hoje residente em Belo Horizonte -, com algumas personalidades de nossa cidade, bairros e fatos curiosos sobre a história de João Monlevade, que estarei publicando em nosso Site.

Obs: O artigo está transcrito na íntegra, conforme publicado na edição de nº 294 do “Jornal de Monlevade”, de setembro/1989.

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