Carlos “Careca”: o Violão e os bons tempos da Cidade Alta! – Marcelo Melo

Acima, a foto original que saiu publicada no “Jornal de Monlevade”, em agosto de 1989

Em João Monlevade existem pessoas consideradas folclóricas, como é o caso do Sr. Carlos Alves Caldeira, com seus 70 anos de idade e aposentado há 19 anos. Popularmente conhecido como Carlos “Careca”, exímio conhecedor da técnica do violão e um torcedor apaixonado pelo Cruzeiro. O famoso Sr. Carlos “Careca” reside no Bairro Areia Preta há 32 anos – desde os tempos que ali era só poeira e barro misturados em meio às poucas casas. E lá que nasceram suas três filhas: Regina, Estela e Dulcinéia.

  Carlos Caldeira nasceu no município de Santa Bárbara, em 9 de maio de 1919. Depois, juntamente com os pais e os irmãos Juventino Caldeira, Ildeu Caldeira, Otacílio Caldeira e outros dois, mudou-se para Florália. Dali para Nova Era e mais tarde para Rio Piracicaba. Seu destino: a Usina da Belgo-Mineira, que acabava de ser implantada em João Monlevade, então distrito de Rio Piracicaba. Isso foi em 1936. Na Belgo-Mineira ficou por 43 anos.

Acampamento Campolina

  Com certo saudosismo, o Sr. Carlos “Careca” fala do tempo em que morou nas barracas do “Campolina”, próximas ao Acampamento do Ângelo. “Meu pai construiu as primeiras barracas em Monlevade. Aquele tempo era muito bom”, disse. Mas relatou também uma história que mudou um pouco o rumo de sua vida. É que, como fiel cruzeirense, foi a Barão de Cocais (depois de ter trabalhado em Itabira e Vitória, no Espírito Santo), assistir a uma partida de futebol entre o seu Cruzeiro e o Metaluzina. E por lá ficou até 1954, um ano após sem casamento com a senhora Terezinha Liro Caldeira. “Fiquei de 1944 a 1954 em Barão de Cocais, onde acabei me casando com a Terezinha, minha conterrânea de Santa Bárbara”, diosse sorrindo Seu Carlos. Em todos os casos que contava do seu passado, ele lembrava de seu pai, o velho Lucindo Alves Caldeira. Seu nome, inclusive, tornou-se nome de rua aqui em Monlevade.

Sempre ativo na Comunidade, Carlos “Careca” nunca foi de faltar a uma festa, ou baile, que sempre foi seu forte. Mas, antes temos de registrar seu retorno a Monlevade e consequentemente à Belgo-Mineira. Foi ainda em 1954 e em 1970 aposentou-se na Usina de Monlevade. Aí o acesso ao violão tornou-se mais rotineiro. “Iniciei minha carreira no violão aos 19 anos de idade, sem professor. E, depois de aposentado comecei a dar aulas, o que faço até hoje”, concluiu. É um apaixonado pela música e tem o violão como um grande parceiro.

Cidade Alta

  Com seu olhar de um saudosista, ele falou de seu tempo de jovem na Cidade Alta: “olha, menino, era bom demais. Na época existiam os bailes da favela, na Cidade Alta. O carnaval de rua era ótimo e tínhamos o Grupo do ‘Samba-Furô’. Lembro também do conjunto musical que era formado pelo Pedrinho (Clarinete), Zé Josafá (Violão), Chico Madalena (Pandeiro) e eu, também ao violão. Animávamos os bailes da época. Já a turma do gole éramos eu, Gerhart Michalick, Nascimento Dias e outros. Ah, e o Pereira do Geo, gente boa toda vida”.

  Ele falou também do Clube “Fenianos”, que promovia os bailes no prédio do Hotel Cassino. “Era quase todos os dias para dançar e tocar. Tinham ainda os encontros na Praça do Cinema, assim como os namoros. O povo naquela época era mais unido, mais alegre. E sempre surgia um convite para a gente tocar em casamentos. Quase todos os sábados havia um”, lembrou o grande violonista.

Ideal Clube

  Outra coisa que sempre está em sua memória é sobre a fundação do Ideal Clube, no Hotel Monlevade. “Era um grupo formado pelo Agenor Rodrigues, Luiz Simões, meu irmão Juventino Caldeira e outras pessoas. Daí nasceram os bailes no Ideal Clube, que depois foi transferido para o prédio da Praça do Cinema. Mas ele nasceu no Hotel Monlevade só depois que vieram o União Operário, o Caça e Pesca e o Grêmio Esportivo. O Ideal fez parte da minha história, onde tive o prazer de ser diretor”.

  Hoje o Sr, Carlos Caldeira é um homem realizado, tranquilo, ao lado esposa, das filhas e dos netos. Mas, sempre atuante, faz parte do Grupo Musical “Monlevade em Seresta”. Também sempre tocou durante as Missas, na época do Padre Hildebrando. No entanto, antes disto, lembra, “tínhamos um Grupo Musical denominado ‘Catacumba’, que tocava nas Missas celebradas no Hotel Siderúrgica. No Areia Preta, até a construção da Igreja da Vila Tanque, onde tocamos por muitos anos, sob a regência do Maestro Lelé. Hoje é outro pessoal, mas continuamos acompanhando as celebrações”, finalizou.

  Assim vive este grande homem, que tanto conhece esta Vila chamada João Monlevade, a qual tanto ama!

*De julho a dezembro de 1989, tive o prazer de produzir uma série de reportagens no extinto “Jornal de Monlevade”, periódico este fundado pelo amigo e jornalista Elmo José Lima – hoje residente em Belo Horizonte -, com algumas personalidades de nossa cidade, bairros e fatos curiosos sobre a história de João Monlevade, que estarei publicando em nosso Site.

Obs: O artigo está transcrito na íntegra, conforme publicado na edição de nº 289 do “Jornal de Monlevade”, de agosto/1989.

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