“Tudo que mais nos uniu, separou”… Por Marcelo Melo!

Comecemos com esse verso no título, do grande poeta Paulo César Pinheiro, da música chamada “Mordaça”. Afinal, as mesmas mãos que mandaram construir a Vila Operária, acabaram por destruir parte dela, e talvez a mais significativa de nossa história, como as praças do Cinema e do Mercado. Como toda a memória arquitetônica que hoje somente restam nas fotografias.

Na fotografia acima, a bela Vila dos Engenheiros, ao lado do Bairro Vila Tanque, com lindas e enormes casas de dois andares, que foram construídas para moradias dos gringos. Hoje, apenas um retrato na parede

Tudo ainda era sombrio e João Monlevade começava a ganhar a cara de uma pequena cidade. A Belgo-Mineira, sob a direção do Dr. Louis Jacques Ensch, iniciava a construção das casas no Centro, cujo nome era conhecido como “Monlevade”. Tudo girava em torno da Usina. As primeiras construções por aqui foram os hotéis do Cassino (acima, à esquerda) e o Monlevade. A Rua Siderúrgica começava a ganhar fora, a partir da década de 1940, com residências dos dois lados. Já havia sido executada a obra de infra-estrutura, com instalação de rede de esgoto, parte elétrica e instalação do meio-fio e asfalto. Tudo muito bem planejado na construção da 1ª Vila Operária da América Latina.

A Belgo-Mineira começa a construir as casas da Rua Siderúrgica, e ao fundo os dois primeiros hotéis, entre eles, à esquerda, o imponente prédio do Cassino, ainda hoje referência arquitetônica

Aqui iriam morar o pessoal da chefia, entre supervisores e contramestres.
Ao fundo, o céu sobre a fumaça branca que saía das chaminés da indústria. Tudo ainda era muito novo e a população era só de operários e a maioria deles ainda nem havia buscado a família, morando em alojamentos e nos hotéis até a Vila ser concluída. Saudade deste grande tempo e desse paraíso de outrora!

Praça Ayres Quaresma, a eterna Praça do Cinema, dos clubes, do Cine monlevade, do Colégio Estadual, dos flertes, da saudade e de nossa arquitetura ao chão


As casas da Rua Siderúrgica permanecem intactas, ao contrário da Vila dos Engenheiros, onde todas foram demolidas. Construídas próximo ao bairro próxima à Vila Tanque, a Vila dos Engenheiros era puro glamour, muito espaçosas e de dois andares, onde residiram os primeiros engenheiros da Usina, principalmente os chamados “gringos”. Logo após a saída dos europeus, que retornaram aos seus países de origem, mudaram-se para a Vila dos Engenheiros os operários que ocupavam cargos de supervisão. Anos depois, já a partir da década de 1980, alguns desses casarões foram transformados em repúblicas de técnicos e engenheiros recém-formados, que vinham de outras cidades para trabalhar na Usina.

O tempo tomou conta de quase tudo e hoje só lembrança e saudade! Todas as histórias que por aqui passaram só restam em fotografias e nas memórias daqueles que aqui viveram. Como se tivesse passado uma barragem sobre as nossas cabeças e limpasse de nós todos os nossos mitos e encantos!

Praça do Mercado com a delegacia de Polícia ao fundo. Aqui parte de nossa história e o point comecial da cidade até os anos 1980

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2 comentários ““Tudo que mais nos uniu, separou”… Por Marcelo Melo!”

  • Muito boa a reportagem Marcelo! Estas fotos são realmente uma relíquia histórica!! Todos Monlevadenses precisam sentir orgulho desta história, mesmo com toda esta destruição! É preciso abrir uma sala museu em Monlevade, com as maquetes, fotos, pôsteres e tudo que pudesse ser colecionado destas fases históricas! A própria siderúrgica que destruiu deveria criar e manter este espaço pra eternidade da cidade! É preciso confrontar está siderúrgica e divulgar o crime que cometeram! Pode ter certeza, que em décadas à vir, se tiverem necessidade de expansões, toda esta área abaixo da linha será destruída e o resto da história e patrimônios, como o cassino, hotel e a Rua Siderúrgica, etc..! Pode não ser no nosso período de vida, mas, as próximas gerações irão sentir este peso!

  • Quem não se lembra da vila dos engenheiros, com seus casões imponentes? É nostálgico! Foi o meu itinerário preferido e rápido pra caminhar da rua 16 e levar a marmita de almoço pro meu pai na famosa “garagem” da Belgo!🤙🏽

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